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terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Paulo Maia Domingues: "Não sei bem o que é ser interessado por literatura"



Como e quando começou a interessar-se por literatura?

Desde bastante novo. No bairro onde morava havia um senhor que ia de porta em porta que alugava, desde revistas a livros, incluindo banda desenhada.

O que despoletou o seu interesse pela literatura?

Não sei bem o que é ser interessado por literatura. No conceito generalista, literatura é, ler, escrever, apreciar, criar ou compor textos de diversa natureza, e neste sentido, julgo que o meu interesse terá sido faseado e sequencial e muito impulsionado pela curiosidade. Lembro-me que junto ao Liceu havia um alfarrabista onde passava amiúde e adquiria livros de acordo com necessidades de aprendizagem até aos famosos livros de Enid Blyton, “Os Cinco”. Como dizia Agostinho da Silva, aprendemos mais quando sentimos necessidade. Respondendo concretamente, cada pedaço da minha vivência, aliado a cada pedaço de quem se cruzou, e cruza comigo, talvez seja a verdadeira razão do meu interesse literário.

Como nasceu a paixão pela escrita?

Comecei a escrever pequenas quadras por volta dos sete ou oito anos. Escondi todos os meus poemas e contos até aos cinquenta anos. Portanto, desde que me lembro, sempre fui apaixonado pela escrita.

O que mais o atrai quando escreve?

Serei muito pouco original, escrever é uma catarse, uma necessidade, é sentir sem sentir, é como, por vezes, tivesse a voz nas mãos.

Por que motivo resolveu escrever livros?

Não foi por um motivo especial, foi por incentivo do meu grande amigo e poeta, José Luís Cordeiro. Sem o encorajar dele, jamais o faria.

Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

Cada obra, texto, conto ou poema, foram escritos num determinado momento de acordo com o que sentia, por isso, não há um em particular que tenha gostado mais.

Em que é que se inspira para escrever um livro?

Por vezes, como já referi, é como tivesse voz nas mãos, sobretudo quando se trata de poesia, outras, baseio-me em vivências ou acontecimentos.

Qual o livro que gostou mais de escrever e porquê?

Cada obra, texto, conto ou poema, foram escritos num determinado momento de acordo com o que sentia, por isso, não há um em particular que tenha gostado mais.

Em que momentos do dia escreve habitualmente?

Não tenho um momento especifico, simplesmente acontece repentinamente, e caso não tenho onde escrever, recorro a gravação de voz no telemóvel.

O que desencadeia a escrita em si?

Serei muito pouco original, escrever é uma catarse, uma necessidade, é sentir sem sentir, é como, por vezes, tivesse a voz nas mãos.

Quais são as suas referências literárias?

Não tenho nenhumas em particular. Há autores da “velha guarda” de quem gosto muito e há autores atuais de quem tenho a melhor das impressões e alguns são verdadeiramente excecionais.

Como vê o mundo atual da literatura em Portugal?

Há lados positivos e negativos. Serei dúbio na resposta; Que viram as editoras sobre este negócio? Pois bem, passaram a desvalorizar a qualidade, em favor da quantidade. É, por exemplo, vulgar encontrar “gralhas” graves nos livros, levantando a séria suspeita se foi efetivamente feita a revisão. É igualmente vulgar, as queixas dos autores quanto aos royaltes. Felizmente existem exceções.Do ponto de vista educacional, julgo que a capacidade académica continua pouco motivadora, em especial por exigir aos alunos, conhecimento de autores que pouco têm a ver com a vivência atual. (ponto negativo) O modelo de “print on demand” proporciona maior democratização à publicação (positivo), no entanto proporciona igualmente a existência de demasiados autores, a maioria de pouca qualidade (negativo). Note-se que, considero da maior importância que cada pessoa, caso sinta necessidade de publicar, o faça, nem que seja simplesmente para cumprir esse desejo. Infelizmente, alguns desses autores acumulam e produzem cultura narcisista, criando círculos de vicio e favores que os remete para uma valorização que não têm. (negativo)

Para quando um novo projeto editorial?

O maior dos meus projetos literários nasceu em 2015, “Autor Publica”. Não sendo uma editora, mas sim um grupo de apoio à edição de autor, sem fins lucrativos, tem sido um sucesso. O Grupo do Facebook (Autor Publica) constituído por Margarida Costa, José Luís Cordeiro e eu próprio, tem-se ocupado em apoiar e lançar obras de autores que já publicaram, e outros que o desejam fazer pela primeira vez. Por esta razão, os meus livros têm ficado para outra oportunidade. Mesmo assim, este ano de 2019, conto lançar “Fernandes e outros contos”. As histórias do “Fernandes” são divertidas e relatam, sobretudo de forma divertida, acontecimentos da pessoa mais azarada que conheci; os “outros contos”, são acontecimentos vividos ou que me contaram. Digamos que este livro será um oscilar de emoções, será uma surpresa para muitos que não me imaginam neste registo literário.

Agora que já conhece a revista Livros & Leituras, que opinião tem deste projeto editorial sem fins lucrativos?

Todos os projetos de apoio à cultura, e sobretudo à divulgação literária, desde que honestos e empenhados, são sempre importantes. Obrigado.

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