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domingo, 24 de março de 2019

Ana Fonseca da Luz: "A escrita é um vício fantástico, já não vivo sem ela"

Escritora Ana Fonseca da Luz

Como e quando começou a interessar-se por literatura?

Sempre gostei de ouvir a minha avó contar-me “estórias” e sempre gostei de inventar fins diferentes para as “estórias” que ela me contava. Comigo, o João Ratão nunca caia no caldeirão e a Branca de Neve nunca comia a maçã envenenada, por isso, ela sempre me disse que eu era uma grande inventora de fins diferentes. Sempre gostei de ler, a não ser as obras literárias que faziam parte do programa, essas eu só li bem mais tarde e com muito prazer, por isso não consigo precisar quando foi que comecei a interessar-me por literatura, mas sei que o primeiro livro que li e que me deixou completamente rendida foi o Nome da Rosa do Umberto Eco, há muitos anos.

O que despoletou o seu interesse pela literatura?

Acho que o despertou o meu interesse pela literatura foi a companhia que os livros sempre me fizeram, o perceber de como através da leitura eu podia voar, de como podia viajar sem sair do meu sofá, mas principalmente porque me deixava com vontade de escrever, de pôr no papel todas as “estórias” que povoavam a minha cabeça.

Como nasceu a paixão pela escrita?

Escrevi o meu primeiro poema aos doze anos, quando me apaixonei pela primeira vez por um menino que se chamava António e que era lindo de morrer. Aos catorze anos, escrevi o meu primeiro romance (ainda o tenho) e acho que depois disso nunca mais parei de escrever. A escrita, para mim, não é uma paixão, uma vez que as paixões duram pouco mais de um ano, a escrita, para mim. é um amor sério, um amor para toda a vida.

O que mais o atrai quando escreve?

O que mais me atrai na escrita é a facilidade com que me desnudo, como me reinvento, como consigo ser várias não deixando de ser eu. A escrita é um vício fantástico. Já não vivo sem ela.

Por que motivo resolveu escrever livros?

O meu primeiro livro foi editado quando eu já tinha cinquenta e um anos e foi por acaso, Na altura eu escrevia apenas para mim e isso bastava-me, até ao dia em que um editor leu o meu blog, que se chamava A Rua das Magnólias, e me convidou para editar. Depois, a seguir a esse, seguiram-se outros e cada um é mais importante do que o anterior. É o tal vício...

Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

Sem dúvida o primeiro, que é um livro de contos, que se chama A Rua das Magnólias, e o último, que é um romance, que se chama, Se tu fosses eu, e que foi escrito em parceria com o Paulo Maia Domingues. O primeiro foi importantíssimo por ser o primeiro e por eu estar em quase todas as páginas, umas vezes como narradora, outras como personagem principal. O último porque foi um desafio fantástico. Foi um livro escrito em apenas 24 dias, cheio de amores e desamores, e onde muita gente se vai identificar, tenho a certeza. Muitas serão as pessoas que ao lerem o livro vão dizer: Esta sou eu!

Em que é que se inspira para escrever um livro?

Qualquer coisinha insignificante pode inspirar-me. Uma frase que oiço de passagem uma música, uma “estória” que ouvi contar. A saudade, é uma grande musa, ou não fosse eu portuguesa. Pequenas coisas cheias de grandeza aos olhos de quase todos nós, mas que às vezes chegam para dai resultar um belíssimo conto, um poema, ou apenas um pensamento mais profundo.

Em que momentos do dia escreve habitualmente?

Escrevo sempre à noite e sempre a ouvir música. Gosto particularmente de escrever ao som de música clássica. Presentemente ao som do violoncelista Hauser de quem sou fã. (agora, estou a ouvir o Adagio de Albinoni,)

O que desencadeia a escrita em si?

Uma adrenalina fantástica. Às vezes, é como se tomasse Red Bull, Depois de escrever alguma coisa que me encha as medidas, eu nem ando, flutuo...é a tal droga, o tal vício...

Quais são as suas referências literárias?

A minha grande referência literária é, sem dúvida, a Rosa Lobato de Faria. Tenho todos os livros dela, alguns já os li mais do que uma vez e por mais que os leia, acho-lhes sempre um encanto especial. É uma escrita limpa, mesmo como eu gosto, sem pretensões ou vaidades. Quando eu for grande, quero escrever como ela escrevia. Depois, na poesia, gosto MUITO de Florbela. Gosto da mágoa que ela põe nos seus poemas, no amor que ela faz com as palavras...

Como vê o mundo atual da literatura em Portugal?

Acho que está bem e que se recomenda. Há muita gente a escrever muito bem em Portugal. Ultimamente, e já há algum tempo, só compro autores portugueses. Deixo aqui os nomes dos últimos autores que comprei: Domingos Amaral, Tiago Rebelo, Valter Hugo Mãe.

Para quando um novo projeto editorial?

Em outubro, se Deus quiser, e com o apoio do Autor Publica, o meu sexto livro vai ser editado. Vai chamar-se o Blog da Paló. É um livro num registo completamente diferente de tudo o que escrevi até agora. Há dois anos, e a convite da Câmara Municipal da Chamusca, escrevi quinze pequenas peças de teatro, muito divertidas que contam um pouco da vida de uma solteirona que tem um Blog e que se chama Paló. Estes quinze saraus foram levados à cena pela Chamusc´Art e foram um sucesso, sempre com casa cheia. Espero que o livro tenha tanto sucesso como os espetáculos.

Agora que já conhece a revista Livros & Leituras, que opinião tem deste projeto editorial sem fins lucrativos?

É sempre de louvar uma iniciativa como a vossa de dar a conhecer quem escreve e quem gosta de ler. Por isso, parabéns, votos de muito sucesso e que através de vós muitas das pessoas que escrevem e que guardam tudo numa pequena gaveta, um dia possam mostrar o que valem.

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