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sexta-feira, 14 de junho de 2019

Marcia Kupstas: "A minha inspiração para escrever não tem muita explicação lógica"







Meu nome é Marcia Kupstas, sou brasileira, escritora profissional há mais de 30 anos. Em 1988, o meu livro de estreia, CRESCER É PERIGOSO, ganhou o Prêmio Revelação Mercedes-Benz de Literatura Juvenil e definiu minha carreira. Recebi inúmeros convites, escrevi livros de imenso sucesso para este público (a literatura para jovens é adotada nas escolas, são edições de altas tiragens), já vendi mais de 3 milhões de exemplares ao longo dos anos. Coordenei coleções e antologias, publiquei em revistas e jornais, tenho mais de 150 livros publicados para todos os públicos.


Como e quando começou a interessar-se por literatura? 


AMO as histórias. Sou descendente de russos e lituanos, povos que são grandes contadores de histórias, desde que me lembro queria ser escritora. Meu pai dizia que eu, aos 5 anos de idade, ainda não sabia escrever, mas sentava no seu colo e lhe ditava um livro, que ele tinha de registrar igual ao que eu ditava, porque depois lembrava de tudo e ficava furiosa se ele mudasse algo! Se me perguntavam "o que você vai ser quando crescer?", dizia que ESCRITORA. 

Por que motivo resolveu escrever livros?

Escrevo livros porque a narrativa é minha forma de expressão, as histórias povoam minha imaginação... Se vejo, por exemplo, uma senhora de chapéu amarelo no metro, ponho-me a imaginar quem é ela, o que faz, porque usa chapéu amarelo e... De repente, estou a "escrever" um conto em minha cabeça! 

Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

O livro de estreia foi marcante em minha vida, mas vários outros deram-me prazer e desafios. CLUBE DO BEIJO, por exemplo, de 2001, teve uma versão teatral de Walcyr Carrasco, escritor e autor de novelas de TV; não prosseguimos numa montagem, mas quem sabe? O romance juvenil A MALDIÇÃO DO SILÊNCIO de 1989, foi intenso e ainda hoje recebo cartas de leitores, assombrados pelo enredo sobrenatural; ELES NÃO SÃO ANJOS COMO EU ganhou um prêmio Jabuti em 2008 e trata de amizades improváveis... Estes 30 anos de carreira deram-me muitas boas experiências com a literatura. 

Em que é que se inspira para escrever um livro?

A minha inspiração para escrever não tem muita explicação lógica. Creio que o bom artista - aqui amplio para todas as Artes - tem uma espécie de "olho" original, que foca a realidade e os objetos de modo diferente da maioria. Mas claro que além do primeiro "insight", digamos assim, há o trabalho. Intenso, até. Há livros que reescrevi inteiros por 2, 3 vezes. A luta por encontrar a palavra certa, o ritmo, a sedução do leitor tem de ser uma constante na trajetória de um profissional das Artes. 

Se não fosse escritor, o que gostava de ser? 

Marcia Kupstas - Se não fosse escritora é provável que seria o que já fui, professora de Língua, Literatura e Redação. Gostava de lecionar, de incentivar alunos a ter o prazer da leitura, da descoberta de um estilo, das intenções de um autor... 

Quais são seus autores preferidos? 

Amo os livros e quando descubro um autor que admiro costumo ler tudo dele. Foi assim na infância, com Monteiro Lobato. Depois, adolescente, descobri clássicos como Machado de Assis, Eça de Queirós (acho A RELÍQUIA uma das obras mais divertidas que já li). Também admiro o norte-americano Stephen King e o inglês Bernard Cornell. São tantos! 

Que conselho daria a alguém que deseje vir a ser escritor? 

Para os candidatos a escritor tenho uma constatação talvez dolorosa: TALENTO não se aprende. Há um nascer com a especialíssima habilidade de unir palavras e imagens, pintar uma tela, compor uma música... Isto define o escritor, pintor, músico. Já disse, esse "olho artístico" especial é também essencial para a carreira. Mas podemos aprender técnicas, ficarmos atentos para evitar prolixidades e lugares-comum, investirmos em especialização no fazer artístico que poder ser tarefa árdua, mas prazeirosa.

Para quando um novo projeto editorial?

Voltei a Portugal para o lançamento de BALADA DOS ROCKEIROS MORTOS E ANJOS CAÍDOS. Este foi meu mais recente projeto, vivi 6 meses em Lisboa para escrever o romance, visitando cidades, museus, castelos, sob o olhar da protagonista, Renata. Foi um desafio maravilhoso... Que prossegue. Tenho planos para uma sequência, a protagonista descobre (como estou a descobrir) sítios arqueológicos na Amazônia e viaja para lá. 

Agora que já conhece a revista Livros & Leituras, que opinião tem deste projeto editorial sem fins lucrativos? 

Acredito que iniciativas como LIVROS & LEITURAS são parceiros admiráveis dos leitores de boas histórias e daqueles que tentam produzi-las. Uma longa vida ao projeto. Saravá!

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