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segunda-feira, 19 de abril de 2021

Roteiro Literário: Veneza, o Marco, o tipo das bombas e o louco

                                          Marco Polo. Imagem do Google

– Há um grito de liberdade a soar-me no meio do peito… Hum, pode dar-me umas inspirações…” – Filipa Perestrelo voltara a surpreender-se com as declarações do seu mais que tudo. Mas, desta vez, ficou mesmo a ver navios…

– Minha Santa Maria!? Que dizes, bom-homem? – Cristóvão costumava partilhar as suas quimeras e aventuras com a mulher. Ela sempre tivera a capacidade de captar o tom de cada momento. O silvo de cada instante. Parece até que estava sempre na vanguarda das tempestades no mar.

– Acabei de ler um livro que me inspirou e acho que vou voltar a abraçar a minha Santa Maria. – O explorador sempre fora um perpétuo insatisfeito. Tinha uma alma grandiosa. Era um líder destemido. Santa Maria foi o nome de uma das naus capitaneadas pelo Almirante Cristóvão Colombo. O descobridor italiano acabara de ler “As Viagens de Marco Polo”.

Minha prezada, bora lá a Veneza, em mais um louco Roteiro Literário? O objetivo era nós entendermos o chão que acolheu algumas das aventuras de Marco Polo. Ainda me curvo perante aquela escolha. Uma noite chuvosa de dezembro. Estava um frio quente no ar. Não recordo exatamente o ano, mas era certamente Anno Domini. Creio que é assim que se diz… Os meus anos de latim no superior nunca me deixaram grandes cumprimentos… Puro deleite, aquele serão. Depois, o que aconteceu debaixo do edredão do amor para comemorar mais uma viagem literária, não posso revelar. Foi bom como o pão que cozo aqui no forno a lenha, para as bandas do BBC ZONE, perto da Toca da Lebre. Ora toma lá, Mário Gonçalves. Samora City ouviu o meu grito. Acreditem que vi as luzes do Almansor a prolongaram-se até ao seu pai. Julgo que estariam à cata de tainhas à babugem dos cacilheiros. O óleo faz milagres e elas parece que gostam.

A Si aprovou de imediato mais uma apaixonante aventura literária. Até deu um grito. Quase que lhe faltou o ar. Acordou as velhinhas que moravam ao lado. Já morreram! Orate frates. A Si delira com estas sugestões de voyages. E Veneza é apenas e somente Veneza, para quem gosta, claro! Em suma, é sempre champô e creme amaciador. Um “dois em um”. Passo a metáfora, mas acho que poder viajar e ao mesmo tempo entender lugares de sonho, guiados também pela literatura, é bué fixe. Concordam?

Encantador este jogo de espelhos!! Indagar-me com a alma inchada não tem mal. Ou terá? Fumar um maço de tabaco por dia permite, no final de cada ano, várias viagens a muitos países da Europa. Estás a dizer mal dos fumadores? Levas na tromba, “obistes”?! Claro que não, conheço muito bem os milhares de maços que me lamberam os lábios e secaram a garganta. Aqui e em França. Noutros países dentro e fora do velho continente. O que eu quis demostrar foi apenas que os gostos são como os cús. Perceberam aquela cena que cada um tem o seu?

Porque está na moda, “bamos” ao que interessa? Há uma estação do ano em que o comboio do tempo vai parar. Onde é que já ouvi isto? “Quando eu morrer, um dia regressarei para recuperar o que perdi junto ao mar”. Creio que é assim, não é, Sophia?

Conta-me uma história com final feliz. Esta é certamente uma. Veneza continua a tocar no coração de milhares de amantes da arte, da cultura e do romantismo. Se a viagem for adquirida pelas ondas da low cost, fora das épocas festivas, não é cara. Já dormir junto aos canais, não é pera doce. Exceção feita a Hollywood. Há que escolher outras opções, mais para as bandas da cidade-mãe. Enorme! Não é uma fortuna almoçar por cima das águas. Pensei que fosse mais. Nas duas vezes que resolvi saltar para lá, nunca me cheirou mal. É o que dizem, que aquilo cheira a merd*. Tudo circula sobre o H2O. Os táxis-barco levam os turistas aos hotéis. A polícia persegue os botes traquinos que aceleram e assustam as gôndolas. Ai, as gôndolas. Passear e curtir a vista ao lado do seu amor é de um romantismo excitante. Até vi um barco funerário a transportar um caixão. Que medo!... Não. Não se deve temer os mortos. Os vivos é que fazem disparates, para não escrever aqui “merda”.  E o Marco Polo, perguntam vocês. E questionam bem. Desculpem, as boas marcas da vida deixam-me assim, perdido na retórica.

“Nem os demónios debaixo do chão poderão separar a alma da alma que eu soube amar” (Allen Poe). Foi esta sensação que também tivemos quando lá chegamos. A Si chorou de emoção e eu também. Há mal chorar? Não.

Vamos ao Roteiro Literário? Sabem quem foi Marco Polo? Ok, a vossa resposta vai ser: “se não souber, o Dr. Google explica”. Verdade! Sabiam que até a receita para a bomba atómica esse tonto tem? Ele um malandro sem escrúpulos.

Marco Polo está no senhor Google, por isso, não me vou estender. Sabiam que o “cadastrado” foi preso por lá? Também Camões foi, em Lisboa. E? E, nada. Fernando Pessoa morreu de cirrose. E? E, nada! Claro que bebia vinho, mas pagava do seu bolso. Podemos visitar o lugar onde Marco Polo esteve preso. É importante. Claro! E já explico a cena. Marco Polo foi um grande viajante. Um mercador que andou pelo mundo. “Descobriu o caminho” para a Ásia, Mongólia… e abriu a Europa ao planeta. É importante, não acham? Bom, mas foi ele que escreveu o livro? Não. Tinha mais jeito para negociar pelos mares. E aqui é que entra a prisão. No tempo em que esteve preso, e teve tempo para isso. Tempo e escuridão do cativeiro. Contou detalhadamente as suas aventuras a um paceiro de cela. Depois, saiu o livro As Viagens de Marco Polo. E o livro teve seguidores? Já se esqueceram do diálogo no início desta minha prosa? O tal Colombo. Já sei o que estão a pensar. O Cristóvão que queria a Índia e perdeu-se no caminho. Foi para as américas. Sim, esse mesmo. O meu Vasco, é o maior.

Voltamos à prisão? As notas que o Marco Polo passou ao camarada, foram extremamente importantes para a Europa. E quem era o tipo que escreveu? Rusticiano de Pisa. E o livro foi escrito em francês antigo. Claro, que era antigo. Estávamos no século XIV. Então, e o livro fala do quê, perguntam vocês. Não digo. Perguntem ao “Dr. da Bomba Atómica!

Estão a gostar deste Roteiro Literário? E têm estado atentos à narrativa? Claro que não. Marco Polo esteve preso em Génova. E que isso tem a ver com Veneza, perguntarão vocês. Porque é lá que ele está neste momento. Será que o consegui ver, perguntam vocês? Não. Sabem porquê? Porque estava quase a fazer amor na tal gôndola. E o que te aconteceu, perguntam vocês? Fui agredido pelo barqueiro. Morreste, perguntam vocês. Não, já me salvei duas vezes na autópsia.

Vale a pena visitar a Igreja onde o seu corpo está sepultado. Chama-se Igreja de San Lorenzo e fica em Veneza. Marco Polo morreu em 1324. Ai, o número 24… Os heróis também morrem, perguntam vocês? Não! Ressuscitam no Inferno!

Se um dia lá forem, tenham uma boa viagem. Posso vos pedir um favor? Não recordem este texto

Regressarei um dia com mais uma Viagem Literária para me arrumar em campeão. Sabem onde pedi a Si em casamento? No topo da Torre Eiffel. Mentira? Não! Um casal muito amigo que nos acompanhou filmou tudo e o algodão não voou sobre Paris.

PS: Sabiam que há uma Veneza em Portugal? Mentira? Perguntem ao tipo das bombas.

Retificação: A tipa do Kronikando, o post anterior, não é mongoloide. Não é, perguntam vocês. Não. Só ficou na altura!!

Mário Gonçalves

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