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quinta-feira, 13 de maio de 2021

Domingos Amaral: "Se só escrevesse quando estou inspirado, não escrevia muito."

DOMINGOS FREITAS DO AMARAL (1967). Formado em Economia pela Universidade Católica Portuguesa, onde é atualmente professor da disciplina de Economia do Desporto (Sports Economics), tem também um mestrado em Relações Económicas Internacionais, pela Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Durante muitos anos foi jornalista, primeiro no O Independente, onde trabalhou durante 11 anos, tendo depois sido diretor das revistas Maxmen, e GQ, durante quatro anos. Além disso, colaborou como cronista em diversos jornais e revistas, como Diário de Notícias, Diário Económico, Grande Reportagem, City, Grazia, Invista Fortuna, Correio da Manhã e Record. Tem 12 romances publicados, todos na Casa das Letras: Enquanto Salazar Dormia (já editado no Brasil, Polónia e Itália Quando Lisboa Tremeu (editado em Espanha e no Brasil), e Assim Nasceu Portugal, A Bicicleta que Fugiu dos Alemães. Atualmente, é administrador da Escola Ave Maria.

Como e quando começou a interessar-se por literatura?

Comecei a interessar-me em criança, com a literatura infantil, que lia vorazmente, ou a juvenil, que lia ainda de forma mais efusiva. Depois, quando tinha talvez 13 ou 14 anos, avancei a toda a velocidade para a literatura de adultos e li, sem pausas, tudo o que podia e apanhava, em casa dos meus pais e avós.

O que despoletou o seu interesse pela literatura?

O gosto pelas histórias. Sempre gostei de histórias, e os livros eram o local onde mais histórias existiam. Histórias do passado, do presente e do futuro; histórias em Portugal ou em mil locais diferentes do mundo; histórias de amor, de guerra, de amizade, de conquista e de perdas. Enfim, nada me entusiasma tanto como uma boa história.

Como nasceu a paixão pela escrita?

Um dia, depois de muito ler, damos por nós a pensar que gostaríamos de contar as nossas histórias. Isso aconteceu-me quando tinha vinte anos, tive vontade de escrever um livro, mas acabei por adiar uns anos, pois ainda não tinha a certeza de conseguir escrever bem. Só me senti confiante quando cheguei aos 30 anos e então publiquei o meu primeiro livro. Mas a paixão estava lá, submersa, há muito tempo.

O que mais o atrai quando escreve?

Inventar um universo para a minha história. Criar personagens, criar o enredo, compor um universo especial daquela história específica. É esse momento de criação que mais me apaixona, e que depois se transforma em livro.

Por que motivo resolveu escrever livros?

Na verdade, o primeiro livro escreve-se porque se deseja, mas depois descobrimos que temos um público, leitores que gostam da nossa forma de escrever. E a partir daí ficamos mais entusiasmados, pois sentimos que estamos a escrever para os outros e não apenas para nós próprios. Um escritor sem leitores não existe, é apenas uma pessoa que escreve.

Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

Não tenho um livro preferido, gostei de escrevê-los a todos, mas gosto mais de escrever romances históricos. E penso que os leitores também gostam mais dos meus romances históricos, portanto é por aí que tenho ido.

Em que é que se inspira para escrever um livro?

Não acredito na inspiração. Se só escrevesse quando estou inspirado, não escrevia muito. O importante é a dedicação, a vontade permanente, a continuidade do trabalho. Um livro demora meses, às vezes anos, a ser pensado e escrito. E ao longo desse tempo, o que nos move não é a inspiração, mas sim o empenho. É um ofício, não é um capricho da mente.

Em que momentos do dia escreve habitualmente?

De manhã e à tarde. Nunca escrevo à noite, o cérebro já está cansado e não tem boas ideias.

O que desencadeia a escrita em si?

Não sei viver sem escrever, já faz parte da minha identidade. Para ser eu, escrevo. Mas, além disso, o que me vale é a minha disciplina. Obrigo-me a escrever, mesmo quando não me apetece. Ao fim dos primeiros dez minutos em esforço, já me dá gozo e depois é sempre a andar.

Quais são as suas referências literárias?

Tolstoy, Eça, Conrad, Hemingway, Garcia Márquez. Se ficasse numa ilha deserta eram os livros deles que gostava de ter comigo.

Como vê o mundo atual da literatura em Portugal?

Escrever é difícil, num país pequeno e com tantas dificuldades. Mas quem tem talento acaba por conseguir acrescentar a sua originalidade à cultura do país.

Para quando um novo projeto editorial?

Acabei de publicar o meu novo livro, “Napoleão vem aí!”.

Agora que já conhece a revista Livros & Leituras, que opinião tem deste projeto editorial sem fins lucrativos?

Parabéns pelo projeto e espero que continuem assim, é essencial para a divulgação dos escritores, portugueses e estrangeiros

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