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quarta-feira, 5 de maio de 2021

Escritor Luís Corte Real: "A síndroma Saramago deu cabo de uma geração de escritores"

Luís Corte Real fundou a Saída de Emergência em 2003. Desde então criou a Coleção Bang! (que lança em Portugal os melhores autores de fantástico da atualidade e muitos clássicos) e a Revista Bang! (uma publicação semestral e gratuita dedicada à fantasia, FC e horror). Também editou autores como a Nora Roberts e Mark Manson, mas vocês não querem saber disso. As paredes de sua casa estão ocupadas por todo o tipo de livros, banda desenhada, manuais de Dungeons & Dragons e Call of Cthulhu, jogos de tabuleiro, action figures e mais caixas de Lego do que aquelas que consegue montar. O Deus das Moscas Tem Fome é a sua primeira obra — uma espécie de X-Files na Lisboa de Eça de Queiroz, com influências que vão de H. P. Lovecraft e Arthur Conan Doyle a Mike Mignola.

Como e quando começou a interessar-se por literatura?

Muito cedo, quando os meus pais me deram a coleção completa de OS CINCO, da Enid Blyton. Lia-os a todos e, quando terminava, recomeçava do início. Na minha inocência, pensava que ia ser assim o resto da vida.

O que despoletou o seu interesse pela literatura?

A minha infância é pré computadores, pré internet e, graças a Deus, pré smartphones. Nessa época os livros eram uma das principais formas das crianças e dos jovens passarem o tempo de forma construtiva. Mudou a minha vida.

Como nasceu a paixão pela escrita?

Muito depois de ter aparecido a paixão pela leitura. Mas foi a ler Conan Doyle, Robert E. Howard, e J. R. R. Tolkien, que senti que gostava de escrever algo do género.

O que mais o atrai quando escreve?

A sensação de criar algo novo, de pegar numa folha branca e produzir um universo, de entreter outras pessoas e os fazer viajar no tempo, no espaço e nas emoções.

Por que motivo resolveu escrever livros?

Fui criativo publicitário durante dez anos e escrevei anúncios e spots de rádio e televisão. Sou editor há dezoito e escrevo sinopses, relatórios e documentos chatos. Os autores escrevem livros – o que é bem mais divertido.

Qual foi a obra que mais gostou de escrever e porquê?

A única: O Deus das Moscas Tem Fome.

Em que é que se inspira para escrever um livro?

Em tudo: no que sou, no que vivi, nas séries que vi, nos livros que li - tudo misturado em proporções que só existem na minha cabeça.

Em que momentos do dia escreve habitualmente?

Sempre que consigo. Mas gosto de acordar ao final da madrugada, ter poucos email para responder e atirar-me logo à escrita.

O que desencadeia a escrita em si?

A mente fervilhante de coisas para criar e contar.

Quais são as suas referências literárias?

Todos os autores que escrevem bem. De Eça de Queirós a Robert E. Howard. De Somerset Maugham a J. R. R. Tolkien. De Conan Doyle a Alan Moore. De Mike Mignola a Enid Blyton.

Como vê o mundo atual da literatura em Portugal?

Há falta de escritores de géneros mais populares. A síndroma Saramago deu cabo de uma geração de escritores - até os mais jovens se levam muito a sério, são muito cinzentos, muito idênticos uns aos outros. Escrevem prosa mas quando abrem a boca nas entrevistas só ouço frases poéticas.

Para quando um novo projeto editorial?

Se puder para amanhã. Se não puder, logo que possível.

Agora que já conhece a revista Livros & Leituras, que opinião tem deste projeto editorial sem fins lucrativos?

Estão de parabéns. Tudo o que ajude a promover os livros e a leitura é bem vindo. Portugal é dos países europeus que menos lê. Para mudar isso é preciso um esforço coletivo. Um abraço e votos de boas leituras!

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