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sábado, 8 de maio de 2021

Receitas Literárias: Galinha de cabidela à Eça de Queirós

 

Ingredientes:


1 galinha c/ sangue

1 cebola

5 dentes de alho

Vinho branco

Pimentão doce

Polpa de tomate

Azeite

100 g de banha

Louro

Tomilho

Segurelha

Cominhos

2 colheres de sopa de vinagre

Caldo de carne

Sal

Pimenta preta 

Preparação:

Deve começar por partir a galinha em pequenas partes e colocá-la, durante pelo menos duas horas, numa marinada de vinho branco, alho, louro, sal, pimenta preta e pimentão doce.

Num tacho, prepare o refugado. Pique a cebola, adicione um pouco de azeite, a banha e o louro. Quando a cebola já estiver alourada, adicione a galinha e envolva para que a carne comece a ganhar sabor. Adicione a marinada, a polpa de tomate a gosto, o caldo de carne, o tomilho, a segurelha e cominhos (ativa muito o sabor dos cozinhados). Pode também colocar um pouco mais de pimenta.

Quando a galinha estiver quase cozinhada, adicione o arroz. Para que não empape muito, uso habitualmente o agulha. 

Numa tigela, coloque o sangue e as duas colheres de sopa de vinagre. Misture bem e coloque no tacho. Envolva tudo. 12/15 minutos depois, o prato está pronto a servir. Deixe apurar uns minutos e pasme-se com esta iguaria que regalou diversas vezes o nosso Eça de Queirós.

História:

Já aqui o referi. Eça de Queirós foi um exímio gastrónomo. Citou, nas suas obras, pratos para todos os gostos. Foi o único escritor português a fazê-lo com tanta frequência. Por isso, as Receitas Literárias da REVISTA LIVROS & LEITURAS vão destacar aqui alguns dos seus emblemáticos pratos. A cabidela aparece evidenciada n´O Crime do Padre Amaro, obra escrita em 1871, lida a alguns amigos um ano mais tarde e publicada em 1874.

Repare-se nestes dois parágrafos seguidos. Os pratos desfilam uns atrás dos outros. Vejam como ao autor escreveu a palavra "Cozinheiros". Optou por usar uma maiúscula num substantivo. O objetivo do romancista foi atribuir importância ao lexema, como se fosse um nome próprio. Existem vários exemplos destes nos seus livros. A paixão de Eça pelo universo da cozinha era evidente.

Ao longo de toda a obra, Eça de Queirós cita a palavra cabidela por quatro vezes. Faz até alusão a uma “cabidela de caça”:

«(...)O excelente abade estava escarlate de satisfação. Era, como dizia o senhor chantre, "um divino artista" ! Lera todos os Cozinheiros completos, sabia inúmeras receitas; era inventivo — e, como ele afirmava dando marteladinhas no crânio, "tinha-lhe saído muito petisco daquela cachimônia" ! Vivia tão absorvido pela sua "arte" que lhe acontecia, nos sermões de domingo, dar aos fiéis ajoelhados para receberem a palavra de Deus, conselhos sobre o bacalhau guisado ou sobre os condimentos do sarrabulho. E ali vivia feliz, com a sua velha Gertrudes, de muito bom paladar também, com o seu quintal de ricos legumes, sentindo uma só ambição na vida — ter um dia a jantar o bispo! (...)»

" (...) — Oh senhor pároco! dizia ele a Amaro, por quem é! mais um bocadinho de cabidela, faça favor! Essas codeazinhas de pão ensopadas no molho! Isso! isso! Que tal, hem? — E com um aspecto modesto: — Não é lá por dizer, mas a cabidela hoje saiu-me boa!... (…)"

« (...) — Pois o abade deu-nos um rico jantar. A cabidela estava de mão— cheia! Eu carreguei-me um bocado, disse o cônego rufando com os dedos na capa do Breviário. (...)»

«(...) Dias depois o padre Amaro e o cônego Dias tinham ido jantar com o abade da Cortegassa. — Era um velho jovial, muito caridoso, que vivia há trinta anos naquela freguesia e passava por ser o melhor cozinheiro da diocese. Todo o clero das vizinhanças conhecia a sua famosa cabidela de caça. (...)»

 

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