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domingo, 2 de maio de 2021

História e Oficiais da História

“Senti-me feliz por haver encontrado um grande escritor”. A frase é de António Lobo Antunes que prefaciou este livro do professor António Borges Coelho.

A obra, chegada esta semana à REVISTA LIVROS & LEITURAS, é de uma riqueza ímpar para melhor se entender a História.

"Um universo diferenciado de artesãos tece e destece a teia inacabada da História, desde o historiador-formiga, por vezes esmagado pelo peso de um novo documento, ao alfageme que afia a lâmina dos conceitos, ao inventor de novos instrumentos, ao arquiteto que, com maior ou menor engenho, traça o risco, dispõe as colunas que suportam os tijolos das palavras.

O manipulador do tempo vem de uma marcha milenar. Velho guardião da Memória, irmão da Epopeia e da Tragédia, glorificador da Comunidade e do Poder, tabelião da verdade consumível ou levita que desce às catacumbas e liberta verdades oprimidas, o historiador torna conhecido o desconhecido, na descoberta do erro estende os patamares da verdade. Encontra novos sentidos mesmo sem sentido no processo humano. Retifica e altera a visão recebida. Revela, exalta, incomoda."

Borges Coelho, além de professor universitário, foi e é um excelente investigador da História de Portugal. Aliás, está em curso – pela sua mão – uma nova versão da nossa História.

Mas, afinal de contas, quem são os oficiais da História que aqui encontramos? O autor começa com um capítulo, todo ele dedicado a Fernão Lopes. Gostei particularmente das abordagens que faz à linguagem e às fontes. Segue-se Rui de Pina com a Crónica a D. Duarte. Já João de Barros merece uma exposição mais prolongada. A passagem que retrata a ortodoxia e a heterodoxia é muito interessante. E claro que não poderia faltar aqui o nosso Alexandre Herculano, autor de uma versão da História de Portugal. Destaco o instante em que António Borges Coelho aborda o pensamento filosófico e histórico de Herculano. Seguem-se Arnold Toynbee, Vitorino Magalhães Godinho; George Duby (Saudades do Duby… Nem imaginam?!) e Jorge Borges de Macedo.

O livro foi editado pela Caminho.

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